LUGARES CLASSIFICADOS
Publicado em Claudia Cozinha – Novembro de 2005

Existem certos bares e restaurantes em São Paulo onde encontramos os melhores garçons, maitres, cozinheiros e barmen da cidade. Estes lugares não figuram em nenhum guia ou resenha das publicações especializadas, nem nunca constarão. Eles fazem parte do roteiro dos profissionais de bares e restaurantes, dos mais simples ao mais sofisticados, da cidade.
Nestes estabelecimentos acontece o conhecido happy hour dos morcegos. Finalizado o atendimento nos restaurantes e bares, a turma vai se encontrar para beber, comer ou dançar. A peculiaridade está no horário, sempre depois da meia noite. Neste período o pessoal se reúne para saber das últimas notícias do ramo e, quem sabe, arrumar ou mudar de emprego se surgir uma oportunidade.
As prateleiras de bebidas reservam grandes surpresas. Além dos favoritos como Jurubeba, Dreher, Cachaças e Vermutes variados, encontramos toda sorte de bebidas, dignas de bares muito mais sofisticados. O pessoal faz questão de beber bem.
Há alguns dias atrás passei no Tanoeiro bar, ainda a tempo de tomar um chopinho, para pegar o nosso barman Derivan. De lá partimos para a balada.
Nossa primeira parada foi no Bar da Mangueira 1 hora da manhã. Tal bar não passa de uma perua estacionada sob uma mangueira na Av. Faria Lima, próximo à sofisticada Rua Amauri. Era um pouco cedo, pois os restaurantes só estavam começando a fechar. Fora da perua, uma churrasqueira improvisada grelhava os espetinhos de carne e a turma tomava cerveja geladíssima e Maria Mole (Conhaque Dreher com vermute branco).
Próxima parada foi já mais perto do centro na Toca da Angélica. Lá fomos atendidos pelo Zé da Toca, antigo garçon, hoje gerente da casa. É um lugar simples com toalhas plásticas, máquinas de aposta, música altíssima e um imenso mural, com uma baiana de acarajé, enfeitando a parede.
No cardápio além de frango a passarinho e outras iguarias consta sarapatel, caldo de mocotó, buchada de bode, moqueca, xinxim de galinha, etc. A legítima cozinha do nordeste reina, afinal a clientela é em grande parte de lá originária.
Pedimos um saboroso sarapatel acompanhado de frango a passarinho. A bebida foi Cuba libre e cerveja. Depois de muita conversa sobre por onde andava fulano ou sicrano e como as coisas eram boas antigamente, partimos rumo ao Madureira, ou Galpão Nordestino.
Toda noite o barman Osvaldo Madureira fecha o bar em um dos mais luxuosos hotéis do país e ruma para o seu restaurante, onde pode ser encontrado depois de 1 hora da manhã. É um local baste amplo e simples, com suas mesas e cadeiras de madeira. Natural de Salinas, Osvaldo se notabilizou pela buchada e pelo delicioso carneiro cozido ao molho acompanhado por baião de dois e cuscuz. O grande movimento da casa é no domingo, já que 2ª feira a turma costuma folgar. É o sábado do pessoal. A dupla jornada de Osvaldo termina só por volta das 5 horas da manhã.
Já passando das 3 horas da manhã não nos restou outra opção senão caminhar alguns poucos metros e entrar no bar do César, com suas prateleiras lotadas de bebidas e aspecto de lanchonete. O lugar fervia de gente. Estava animadíssimo.
Animado mesmo foi terminar a noite no Casarão Show, forró onde o barman Kaskão serve toda sorte de drinks de Rabo de galo a Manhatan, passando por caipirinha ou dry Martini.
Isto tudo se passou em uma noite normal no meio da semana em uma cidade como São Paulo.
Duro foi acordar no dia seguinte, já que meu expediente começa mais cedo que o da turma.