Unanimidade Nacional
Publicada em Go Where Gastronomia - Dezembro de 2006

Quando pensamos em um prato nacional, logo nos vêm à cabeça a feijoada ou o arroz, feijão bife e farofa. Sempre nos esquecemos daquele que está presente em todos os cantos do país preparado por todas as classes sociais em todos lugares e em qualquer condição: o churrasco.
Basta um fogo, um pedaço de carne e sal grosso que a turma já se reúne para conversar, beber e assar a especialidade nacional. Cada um tem seus truques e macetes para fazer o melhor churrasco que alguém já pode ter provado.
Existem até especialistas no seu preparo. A grande polêmica é como se prepara uma boa picanha. Assar com a gordura para cima ou para baixo? Tirar o sal grosso antes ou depois de ir para a grelha? Como estas perguntas nunca terão resposta não me atrevo a palpitar.
Antigamente churrasco de paulista era feito de finos bifes temperados, grelhados até quase virarem carvão, cobertos de molho vinagrete e depois colocados dentro de um pãozinho. Não é por menos que se dizia que o sucesso do churrasco dependia do bom humor do padeiro.
Pois é, a macarronada dos domingos se transformou em churrasco no quintal. O danado é a correria quando chove. Não há forno que dê conta.
Todo mundo tem uma churrasqueira em casa desde as mais simples desmontáveis, até sofisticadas construções com pia, geladeira e lugar para a mesa que muitas vezes recebe uma sofisticada toalha de linho. Mas, o que mais importa no churrasco é o evento.
Já tive oportunidade de ir a maravilhosos churrascos com carne mal feita, assim como àqueles em que a carne está perfeita, mas com ambiente esquisito. Este sim, um grande fiasco.
Originário do Rio Grande do Sul, o sistema de rodízio ou espeto corrido se espalhou pelo Brasil de forma definitiva. Nas estradas do sul sempre foi o preferido dos caminhoneiros, atrás de comida farta e barata onde só se comem as ressecadas lâminas externas tiradas de grandes pedaços de carne.
Com a chegada às grandes cidades o rodízio se sofisticou. Toda churrascaria paulistana que se preze tem uma fonte, um espaçoso bar com móveis em madeira escura e um enorme buffet recheado de saladas e até sushis.
O buffet das churrascarias rodízio é que faz a grande diferença entre elas. É um espetáculo à parte. Podemos até dizer que é a banalização das iguarias. Nos mais sofisticados podemos topar com ostras, lagostas, enormes camarões, endívias em profusão e toda sorte de preparados com berinjela e qualquer tipo de salada que se possa imaginar.
Este espetáculo, muitas vezes, é o paraíso dos vegetarianos. Aliás, tenho uma amiga que seguidora do ovo-lacto-vegetariano ou qualquer coisa parecida que não abre mão de uma churrascaria rodízio, segundo ela muito mais saborosa que a maioria dos restaurantes natureba.
Algumas churrascarias têm até rodízios de massa.
Cada estado tem uma forma diversa de apresentar o buffet com as suas preparações regionais. Um buffet em Manaus jamais vai ser igual a um em Fortaleza ou São Paulo.
É um quadro curioso que mostra bem a mistura de origens do nosso povo mesmo se tratando de uma especialidade tão simples e comum.
Não é por acaso que cada um com quem a gente conversa sobre o assunto faz o melhor churrasco da região.