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QUEM PRECISA DA FEIRA?

Feira Heitor Peixoto

Quando a maioria das pessoas pensa em feira livre, logo vem à cabeça aquele passeio maravilhoso entre frutas e verduras, barraca do pastel para uma boquinha e para um copo de caldo de cana moída na Kombi ao lado.
O mais interessante é que a feira muda de acordo com o bairro. Naqueles onde predominam os orientais os produtos são diferentes e até banca de Dorayaki tem.
Nos bairros onde moram muitos nordestinos o que tem mais é tapioca, farinha e queijo de coalho, etc.
Tudo é bacana é gostoso e legal até o dia em que eu me mudei para uma rua com feira livre a poucos metros da minha casa onde está a barraca do peixe a barraca do peixe.
De uma hora para outra a feira passa de uma maravilha para um inferno. É interessante como a gente muda de posição quando alguma coisa passa a nos incomodar. Está certo que a feira já estava lá quando eu cheguei mas posso reclamar, assim como reclamam, aqueles que moram perto do aeroporto de Congonhas.
Fui atrás de saber quem criou esta loucura dos meus domingos.
Não é que tem data e autor! Eu achando que a feira era uma coisa que existisse desde sempre…
A feira do jeito que é foi criada por um decreto do prefeito Washington Luís em 25 de agosto de 1914. Isto em função da reação da população com a sujeira, desordem e os altos preços dos produtos nas feiras populares.
Por outro lado, os comerciantes reclamavam que as feiras se instalavam onde entendessem e no horário que lhes fosse mais conveniente.
A feira que hoje conhecemos surgiu em 1964 quando a prefeitura resolveu botar ordem e separou a feira por setores. Colocou as flores em uma ponta e as carnes e peixes em outra Achou lugar certo para peixes, verduras, animais vivos, roupas, panelas, etc.
Este movimento foi fruto da pressão da população que reclamava da sujeira e barulho e desordem.
Hoje as pessoas têm sentimentos distintos com relação à feira: os que adoram e a acham típica e os que odeiam e a acham atrasada e suja. Estes são aqueles que moram perto da feira no geral.
Com uma feira próxima de casa, sou um frequentador assíduo. Vejo produtos bem expostos e às vezes meio largados. Não vejo muita coisa diferente do que encontro no supermercado.
Os preços são às vezes mais altos e às vezes mais baixos que no supermercado. A qualidade se equivale. Nem tudo é melhor e mais barato que nas gôndolas das grandes lojas com ar condicionado, carrinho e sobretudo limpas.
Precisamos das feiras?
Por mim só pelo pastel vale a pena.
A fedentina e a barulheira logo cedo é que mata!
Querer sair da garagem e dar de cara com um automóvel parado à sua porta. Depois de meia hora esperando, aparece uma fulana com o carrinho cheio se desculpando pois foi só uma paradinha rápida.
Adoro e odeio feira ao mesmo tempo.
Mas fazer o que? Esta é nossa cidade.